
A palavra “cristão” é conhecida em praticamente todo o mundo. Milhões de pessoas utilizam essa identificação para descrever sua fé, sua tradição religiosa ou sua relação com determinada comunidade. Entretanto, uma pergunta continua necessária: o que realmente significa carregar o nome de Cristo?
Essa pergunta se torna ainda mais importante quando percebemos que é possível possuir uma identidade religiosa sem permitir que essa identidade alcance profundamente nossa maneira de viver. Podemos frequentar uma igreja, conhecer expressões bíblicas, participar de atividades cristãs e, ainda assim, preservar pensamentos, relacionamentos, escolhas e reações praticamente intocados pelos ensinamentos de Jesus.
É justamente nesse ponto que precisamos recuperar o significado do discipulado.
Antes de serem chamados cristãos, eles eram discípulos
Atos 11 registra um momento marcante da história da igreja: foi em Antioquia que os seguidores de Jesus foram chamados de cristãos pela primeira vez. Existe, porém, um detalhe importante nessa história. Antes de receberem aquele nome, aquelas pessoas já estavam sendo ensinadas e formadas como discípulos.
Essa ordem possui grande significado. O nome não criou o discipulado; o nome surgiu dentro de uma comunidade de pessoas que estavam aprendendo a seguir Jesus.
Por isso, reduzir o cristianismo a uma identificação religiosa significa perder parte importante de seu significado. Um discípulo não é simplesmente alguém que concorda intelectualmente com determinadas ideias sobre Jesus. É alguém que reconhece Cristo como Mestre e aceita continuar aprendendo com Ele.
Esse aprendizado precisa alcançar a vida concreta.
Quando a fé chega às escolhas
Uma das maneiras mais simples de avaliar a profundidade de nossa fé é observar aquilo que acontece quando os ensinamentos de Cristo entram em conflito com nossos interesses.
Enquanto obedecer é conveniente, dificilmente percebemos a profundidade de nossas convicções. A situação muda quando dizer a verdade pode custar uma oportunidade, perdoar exige enfrentar uma ferida real ou responder com domínio próprio significa abrir mão da satisfação imediata de revidar.
É nesses momentos que uma pergunta fundamental aparece: quem terá a palavra final?
O discipulado cristão começa a ganhar profundidade quando a Palavra de Deus deixa de ser apenas conteúdo que admiramos e passa a funcionar como referência para nossas decisões.
Isso não significa que o cristão sempre fará a escolha correta. Significa que ele reconhece uma autoridade à qual precisa retornar quando percebe que errou.
Nossas reações também fazem parte do discipulado
Podemos preparar cuidadosamente aquilo que dizemos em público, mas nem sempre conseguimos preparar nossas reações. Quando somos contrariados, feridos ou surpreendidos, padrões que estavam escondidos podem aparecer rapidamente.
Por isso, conflitos frequentemente revelam muito sobre nosso caráter.
Uma pessoa pode considerar-se paciente até conviver com alguém que constantemente exige paciência. Pode imaginar que possui domínio próprio até ser profundamente provocada. Também pode acreditar que perdoa facilmente até experimentar uma ofensa que realmente machuca.
Essas descobertas não precisam produzir desespero. Elas podem revelar exatamente onde o processo de transformação precisa continuar.
Jesus não chamou pessoas perfeitas para segui-lo. Chamou discípulos que precisariam aprender.
O problema não está simplesmente em descobrir que ainda possuímos áreas imaturas. O verdadeiro perigo aparece quando transformamos essas áreas em territórios que Cristo não pode confrontar.
Perdão não significa negar a justiça
Uma das áreas em que o caráter cristão é mais profundamente desafiado envolve o perdão. Algumas pessoas aprenderam que perdoar significa fingir que nada aconteceu, restaurar imediatamente qualquer relacionamento ou abrir mão de limites necessários.
Essa compreensão pode produzir grande confusão.
Perdoar não transforma o mal em bem e não elimina automaticamente as consequências de uma escolha. Também não significa permanecer em situações destrutivas ou impedir que autoridades legítimas sejam procuradas quando necessário.
O perdão está relacionado, entre outras coisas, à decisão de não permitir que a ofensa receba autoridade permanente para determinar aquilo em que nos tornaremos.
Uma pessoa pode reconhecer a gravidade do que sofreu e ainda assim recusar-se a construir toda a sua identidade ao redor da ferida.
Isso não é fraqueza. É liberdade.
Graça não é acomodação
Outro ponto essencial da vida cristã envolve nossa compreensão da graça. Deus não nos ama porque conseguimos apresentar um desempenho espiritual impecável, e ninguém precisa atingir perfeição para então aproximar-se de Cristo.
Entretanto, essa maravilhosa verdade pode ser distorcida quando transformamos graça em argumento para permanecer voluntariamente em padrões que sabemos serem incompatíveis com o caráter do Mestre.
A graça não existe apenas para nos receber. Ela também abre espaço para transformação.
O cristão não precisa esconder suas falhas para preservar uma imagem religiosa. Pode reconhecê-las, arrepender-se, buscar ajuda e continuar caminhando.
Existe uma diferença importante entre falhar durante o processo e decidir que transformação não é necessária. O discipulado não promete ausência imediata de fraquezas, mas aponta para uma nova direção.
O cristianismo precisa sobreviver ao cotidiano
Talvez uma das perguntas mais importantes sobre nossa fé seja aquilo que acontece quando saímos da igreja.
Continuamos pertencendo a Cristo quando chegamos em casa. Continuamos carregando seu nome no trabalho, nas conversas particulares, nas decisões financeiras, no trânsito e nos conflitos familiares.
Por isso, nossa identidade cristã não pode depender apenas de ambientes religiosos.
A maneira como tratamos pessoas que não podem nos oferecer nada revela algo sobre nosso caráter. A forma como falamos de alguém quando essa pessoa não está presente também revela. Nossa decisão de permanecer na verdade quando ninguém descobriria uma mentira diz muito sobre aquilo que realmente valorizamos.
É nesse cotidiano aparentemente comum que o discipulado se torna concreto.
Não se trata de parecer com Cristo, mas de ser formado por Ele
Existe uma diferença profunda entre aparência religiosa e transformação. Aparência pode ser construída rapidamente porque depende daquilo que conseguimos mostrar às pessoas. Caráter, porém, é formado lentamente.
Quem está preocupado apenas em parecer cristão pergunta o que precisa demonstrar. Quem deseja ser discípulo pergunta o que ainda precisa permitir que Cristo transforme.
Essa segunda pergunta exige humildade.
Talvez existam áreas em nossa vida que ainda estejam muito distantes do padrão do Mestre. Reconhecer isso não significa negar aquilo que Deus já fez, mas admitir que sua obra ainda continua.
O discípulo permanece discípulo justamente porque permanece ensinável.
Quanto mais conhecemos Cristo, mais percebemos a profundidade de seu caráter e mais entendemos que seguir Jesus é uma caminhada contínua.
Afinal, o que significa ser cristão?
Ser cristão não consiste simplesmente em adotar um nome religioso, frequentar uma comunidade ou professar determinadas crenças. Significa pertencer a Cristo de tal maneira que sua Palavra, seu caráter e seus ensinamentos passem a orientar concretamente escolhas, relacionamentos, reações, pensamentos e atitudes.
Isso não acontece completamente em um único momento. É uma caminhada marcada por graça, aprendizado, correção, arrependimento e crescimento.
Algumas mudanças serão rápidas. Outras exigirão anos de amadurecimento.
O importante é saber qual é a direção.
Foi em Antioquia que os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira vez. Séculos depois, ainda carregamos esse nome, e a pergunta continua diante de cada geração: nossa maneira de viver começa a revelar algo daquele a quem afirmamos pertencer?
Essa é a reflexão central de Imitadores de Cristo, de Jader J S Pinto. A obra convida o leitor a ultrapassar a superfície da identidade religiosa e redescobrir o discipulado como pertencimento, transformação e formação do caráter segundo o Mestre.
Talvez a pergunta que permaneça depois de tudo seja também a mais importante: quando as pessoas encontram nossa vida cotidiana, quanto daquilo que encontram começa realmente a apontar para Cristo?
Você carrega o nome de cristão. Mas até onde esse nome alcança sua maneira de viver?
Imitadores de Cristo, de Jader J S Pinto, é um convite para voltar ao significado do discipulado e examinar, à luz das Escrituras, quem realmente está orientando suas escolhas, pensamentos, relacionamentos e reações.
Não se trata de alcançar uma aparência de perfeição. Trata-se de pertencer a Cristo e permitir que esse pertencimento transforme progressivamente seu caráter.
Comece a leitura de Imitadores de Cristo e redescubra a profundidade de viver como alguém que pertence ao Mestre.